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Oficina oferecida pela Associação Tramatusa reúne diversas interessadas

O grupo explorou quatro diferentes possibilidades de se trabalhar com a fita tusa, material residual das fábricas de papel e celulose da Serra catarinense

Engana-se quem pensa que shopping é lugar de reunir as amigas somente para fazer compras. É espaço também para aprender atividades que podem render passatempo e, melhor ainda, complementação de renda. Essa é a proposta das oficinas de artesanato promovidas pelo projeto Serra Artesanal, uma iniciativa da Secretaria de Turismo em conjunto à Associação de Assistência Social, Trabalho e Cidadania (Samt), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Lages Garden Shopping.

O desafio foi aceito por oito mulheres que se dirigiram à praça de alimentação do Lages Garden Shopping na tarde deste sábado (3), onde a Associação Tramatusa promoveu, através de suas artesãs instrutoras, uma oficina que explorou e desdobrou quatro diferentes possibilidades de se trabalhar com a fita tusa, material residual das fábricas de papel e celulose da Serra catarinense.

As alunas puderam optar em participar de uma ou mais oficinas, de forma migratória, com fita tusa aplicável para cestas, bolas (bexigas), potes de vidro em macramê e imãs de geladeira. As peças produzidas pelas alunas foram levadas para casa como artigos de ornamentação. Atuaram as instrutoras Sandra Cunha Leite, Neide Vassem e Lúcia Furtado.

As oficinas duram das 14h às 18h. A Tramatusa ministrará oficinas em mais três datas: 1º e 29 de outubro e 26 de novembro. As inscrições são feitas na hora com limite de até 15 alunos. Quem quiser participar deverá comprar o kit básico de matéria-prima no valor simbólico de R$10,00.

Massagem na autoestima

A professora Neide Vassem observa que mulheres trabalhadoras em casa, bem como as aposentadas, podem prevenir doenças como a depressão ao desempenhar as técnicas do artesanato. “Faz um bem incrível, constroem amizades, conversam, sorriem mais”, resume. A dona de casa Rita de Cássia Freitas mora no Centro e estava bem feliz em ser uma das alunas. Ela já é “craque” em outras modalidades de trabalhos manuais e se lançou em outros desafios, como as aulas na Casa do Artesão, em cursos gratuitos da Samt. “Eu gosto de mexer com ‘patchcolagem’ e feltro. Estou gostando muito de usar fita tusa. Na Casa do Artesão já estamos preparando peças para o Natal”, conta.

Para ela, a atividade mantém a mente sempre ativa e ocupa o tempo, além de permitir a socialização. Simone Córdova Macedo também é dona de casa, mora no bairro Popular e trabalha à noite vendendo lanches. “Já fiz cursos de biscuit, flores em EVA e patchwork. Eu adoro esse tipo de coisa. Traz saúde, paz, tranquilidade. Ficar só em casa adoece”, acredita.

O secretário de Turismo, Flávio Agustini, comenta que este é o saber fazer. “Repassar o conhecimento e utilizar a matéria-prima local, fazendo com que as pessoas possam perpetuar esse trabalho baseado nos elementos da terra contribui para a preservação das características de Lages e da Serra. O shopping é uma grande vitrina, é frequentado por pessoas de um raio de 150 quilômetros, em média. O artesão propaga sua obra, transmite o acumulado de conhecimentos às futuras gerações”, define.

Vitrina serrana

As oficinas são derivadas do Projeto Serra Artesanal, formado pela Associação de Artesanato Lageano, Projeto Ciranda (Samt), Arte Terapia, Chico’s Couro, Nó de Pano e Associação Tramatusa, instituições que se revezam na comercialização de produtos artesanais na loja Serra Artesanal dentro do shopping. São trabalhos que valorizam elementos como o pinhão, pinheiro araucária, nó de pinho, porungo, barba-de-velho, lã de ovelha, vime, couro, taipas, entre outros.

A loja tem como metas envolver em torno de dois mil artesãos, atingir 45 bairros, abrir um novo canal de vendas, repassar técnicas de gestão para os artesãos, comercializar R$ 40 mil por mês e de três mil produtos no mesmo período, e tornar a loja um canal de venda permanente. A loja atende de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 14h às 20h. 

A decisão de abrir a loja partiu dos resultados durante o projeto Serra Artesanal, desenvolvido nas edições das feiras do Natal Felicidade. A feira impacta cerca de cinco mil artesãos, com espaço disponibilizado em boxes distribuídos na praça João Costa, envolvendo sete municípios da Serra. As vendas atingiram R$ 70 mil em 23 dias de Natal Felicidade em 2015. Foram comercializados cinco mil produtos nesse período.

Programação das oficinas: