Grupos de artesanato levam inclusão social às mulheres

Além do aprendizado, os cursos servem também como momentos de lazer. Enquanto tecem, ponto a ponto, lindos trabalhos artesanais, elas conversam e dão risadas em rodas de chimarrão.

 Devolver o brilho no olhar, incentivar o empreendedorismo, a geração de renda e melhorar as condições de vida de centenas de lageanas espalhadas por todos os bairros da cidade. Este é o principal objetivo dos grupos de artesanatos assumidos pela Prefeitura de Lages, através da Secretaria de Assistência Social e Habitação, vinculada a Diretoria de Inclusão e Cidadania.

Os cursos acontecem sempre no período vespertino, a cada 15 dias em um bairro diferente, onde estão sediados os núcleos com a participação de até 25 mulheres cada. Durante os encontros elas aprendem técnicas como o crochê, tricô, pintura em tecido, patchwork, entre outras. “Nosso principal objetivo é melhorar a renda de mulheres em vulnerabilidade, por meio de ações de inclusão social e cidadania. Ajudá-las a ter uma qualificação para se tornarem artesãs e quem sabe até abrirem seu próprio negócio. Já é nato delas ter independência financeira e espírito empreendedor, o que fazemos é incentivar”, destaca a coordenadora Rita Muniz.

Os bairros atendidos atualmente são o Habitação, Penha, Santa Catarina, Universitário, Popular, Guarujá, Vila Nova e Santa Mônica, totalizando cerca de 250 mulheres de todas as idades.

O material para a confecção é doado pela prefeitura, e cada aluna leva a sua própria agulha e tesoura, e algum outro acessório de sua preferência para que o trabalho fique ainda mais bonito. As professoras, Irene das Graças Muniz e Ana Carolina Andrade, ensinam com toda paciência passo a passo na hora da confecção dos trabalhos.

Laços de amizade sendo reforçados

Além do aprendizado, os cursos servem também como momentos de lazer. Enquanto tecem, ponto a ponto, lindos trabalhos artesanais, elas conversam e dão risadas em rodas de chimarrão. No final a confraternização é com lanches que elas mesmas levam de casa. “É uma terapia pra gente. Não iria conseguir ficar em casa, e poderia até ficar doente, com depressão, depois que me aposentei. Aqui ensinamos umas as outras e iniciamos novas amizades, muito bom mesmo”, comenta Leonir Alves Pereira, uma senhora que 65 anos que freqüenta o grupo do bairro Santa Catarina pela primeira vez. “Estou adorando. Antes fazia meu crochê em casa, mas em grupo é muito melhor”, diz.

Dona Leonir conta que aprendeu a técnica do crochê aos 18 anos, quando estava prestes a casar e precisava fazer seu enxoval. Trabalhava como empregada doméstica e sua patroa, generosamente a ensinou a tecer os fios, formando rendas. “Até hoje, mais de 40 anos depois, ainda tenho as primeiras peças que fiz”, conta. A tradição foi passada às suas filhas e netas. “Algumas adoram, outras nem tanto. Hoje em dia tem muito aparelho eletrônico e elas vão perdendo o gosto por essas coisas”.

Os cursos são frequentados por mulheres de todas as idades, formando um verdadeiro encontro de gerações, onde a experiência se junta à vontade de aprender das jovens iniciantes. Helen Vitória Rodrigues da Silva tem 12 anos e foi incentivada pela tia a se inscrever no grupo. Ainda está dando os primeiros passos no aprendizado do crochê. “Precisa ter paciência, mas não é difícil. Quero fazer toalhas para colocar no meu quarto”, conta.

Incremento da renda familiar

A maioria das mulheres que frequentam os cursos vão em busca de aumentar a renda e ajudar no orçamento em casa. Este é o caso da dona Maria Jacira de Souza Santos. Aos 71 anos de idade ainda não conseguiu se aposentar e a venda dos panos de pratos e outros artesanatos como o patchwork, produzidos por ela, ajuda a pagar as contas. “Aprendi com minha mãe e hoje participo do grupo para ficar mais fácil vender depois”, afirma.

Os produtos confeccionados são expostos em feiras de artesanatos e também em um espaço reservado para elas, que precisam passar por uma seleção. Provisoriamente estão expondo e comercializando na Casa do Artesão, que fica ao lado da Fundação Cultural de Lages (FCL) e o Museu Thiago de Castro. Antes elas estavam sediadas na rua Nereu Ramos, próximo ao Teatro Marajoara, mas precisaram sair pois o espaço era locado. “Além de aprender a confeccionar os produtos, elas aprendem também noções de empreendedorismo, a gerenciar e organizar a comercialização, que também é muito importante”, diz a coordenadora Rita.   

Texto: Aline Tives

Fotos: Toninho Vieira

 

 

 

 

Outras informações acesse o site: http://www.lages.sc.gov.br

Prefeitura de Lages